Peixes nativos do Brasil: quais espécies são produzidas e como está o mercado
Tambaqui, tambatinga, pacu, pirapitinga e pintado somaram 257 mil toneladas em 2025. Veja as espécies nativas produzidas no Brasil e os desafios do setor.

Peixes nativos do Brasil: quais espécies são produzidas e como está o mercado
Além da tilápia, quais são os outros peixes que o Brasil produz? A tilápia responde por quase 70% de toda a piscicultura nacional e domina o noticiário do setor. Mas os outros 30% contam uma história bem mais brasileira e, para quem produz, bem mais estratégica.
Em 2025, os peixes nativos somaram 257.070 toneladas, segundo o levantamento mais recente da Associação Brasileira da Piscicultura, publicado no Anuário Peixe BR 2026. É o segundo maior grupo da produção nacional, atrás apenas da tilápia.
Quais são os peixes nativos produzidos no Brasil
Os principais peixes nativos criados no Brasil são o tambaqui, a tambatinga, a pirapitinga, o pacu e o pintado, um grupo conhecido no setor como peixes redondos.
- Tambaqui: a espécie de referência do segmento, ícone da culinária amazônica, com carne rica em proteína e baixo teor de gordura;
- Tambatinga: híbrido de tambaqui com pirapitinga, valorizado pelo desempenho em cultivo;
- Pirapitinga: muito presente nas mesmas regiões produtoras do tambaqui;
- Pacu: com mercado consolidado no Centro-Oeste e presença nas exportações;
- Pintado: entre os nativos de maior valor agregado.
Outras espécies nativas, como matrinxã, curimatã e bagres diversos, também aparecem na produção e na pauta de exportação, ainda que em volumes menores.
Onde ficam os maiores produtores
A produção está concentrada no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, as mesmas regiões onde o consumo desses peixes já faz parte da cultura alimentar. Rondônia é o estado que mais produz peixes nativos no Brasil, com 55.200 toneladas em 2025, seguido por Maranhão e Mato Grosso. Confira os cinco maiores produtores:

O que trava o setor
A produção de nativos recuou 0,63% em 2025 e acumula o terceiro ano consecutivo de retração. O último crescimento foi entre 2021 e 2022, de 1,79%. Em 2015, o segmento produzia 312 mil toneladas e em 2025 atingiu 257 mil toneladas.
Os gargalos apontados pelo setor são conhecidos:
- Mercado geograficamente restrito: O consumo se concentra nas regiões produtoras, o que limita a escala.
- Logística e distribuição: Levar o produto aos grandes centros consumidores continua caro e complexo.
- Baixa industrialização: Este é o ponto mais crítico: nenhuma espécie no mundo se consolidou sem uma indústria de processamento forte por trás.
- Concorrência da tilápia: Uma cadeia com mais escala, mais tecnologia e aceitação internacional já consolidada.
O que já está mudando
Apesar do cenário, há movimentos concretos na direção certa.
Nutrição específica. A indústria de rações passou a desenvolver formulações adaptadas às exigências dessas espécies, em vez de adaptar produtos pensados para tilápia.
Melhoramento genético. Embrapa e universidades federais lideram estudos aplicados para otimizar o desempenho em cultivo intensivo.
Padronização de cortes. A Peixe BR, em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Universidade Federal de Rondônia, avançou na padronização nacional da nomenclatura dos cortes comerciais de peixes redondos — banda, costela, filé, filé de cauda, ventrecha e peixe espalmado. A costela de tambaqui, inclusive, foi premiada no Seafood Excellence Awards de 2023. Padronizar nomes parece detalhe, mas é o que viabiliza rotulagem segura, uso de maquinário específico e abertura de mercado externo.
Exportação em alta. O tambaqui foi a segunda espécie mais exportada pela piscicultura brasileira em 2025, com US$ 961 mil, um crescimento de 48% em valor sobre 2024.
Gestão da produção. Diferente da tilápia, que já conta com índices zootécnicos bem estabelecidos e pacotes tecnológicos consolidados, a produção de nativos ainda opera com pouca padronização de dados. Registrar de forma consistente o manejo alimentar, a qualidade da água, a biometria e a mortalidade é o que permite ao produtor identificar gargalos, reduzir custos e tomar decisões baseadas em números e não em intuição. A adoção de ferramentas digitais de gestão começa a ganhar espaço entre produtores que buscam justamente essa profissionalização.
O caminho: transformar identidade regional em marca nacional
O maior ativo dos nativos não é o volume, é a identidade. Sabor, textura e história ligam essas espécies a uma imagem de "peixe brasileiro" que a tilápia, por definição, não tem. Cortes especiais, hambúrgueres e produtos processados abrem espaço em nichos urbanos onde o peixe inteiro nunca chegaria.
O desafio é grande, mas o potencial também: fazer dos nativos não apenas um produto regional, mas uma marca nacional de qualidade e sustentabilidade.
Fonte dos dados: Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026.