Manejo
Peixe
Camarão

Biometrias no Inverno: Como e Quando Fazer

Protocolo completo para biometria de peixes no inverno: minimize estresse, previna fungos e otimize seu manejo. Guia prático com 4 passos essenciais.

Alexandre-Baumann

Biometrias no Inverno: Como e Quando Fazer

A biometria, pesagem e medição periódica dos peixes, é uma ferramenta essencial de gestão. Ela permite acompanhar o crescimento real do plantel, ajustar a quantidade de ração ofertada e antecipar decisões de venda ou remanejamento. No inverno, porém, o manejo inadequado durante a biometria pode comprometer seriamente a saúde dos animais. Seguir um protocolo correto faz toda a diferença.

1. Escolha o Momento Certo

Prefira realizar as biometrias nos dias mais quentes e ensolarados do inverno, preferencialmente entre 10h e 14h, quando a temperatura da água está mais elevada. Peixes biometrados em água mais quente se estressam menos, recuperam-se mais rápido e apresentam menor risco de lesões e infecções pós-manejo.

☀️ Dica Prática: Nunca realize biometrias em dias frios, com vento ou com queda brusca de temperatura. O estresse combinado ao frio abre caminho para fungos e bactérias oportunistas.

2. Minimize o Tempo de Exposição dos Animais

Reduza ao máximo o tempo em que os peixes ficam fora da água ou em redes/baldes durante a biometria. Quanto menor o período de exposição ao ar e ao frio, menor será o nível de estresse e o risco de ferimentos nas escamas e na pele — que são as principais portas de entrada para fungos.

  • Use baldes ou caixas com água do próprio viveiro para manter os peixes durante a pesagem;
  • Trabalhe em equipe para agilizar o processo — organize a pesagem, anotação e devolução simultâneos;
  • Amostre um número representativo do lote (mínimo 30 animais por tanque) sem prolongar desnecessariamente o manejo;
  • Evite expor os peixes ao sol direto ou ao vento durante a biometria.

3. Prevenção de Fungos Pós-Biometria

Após qualquer manejo no inverno, os peixes ficam mais suscetíveis a infecções fúngicas, especialmente por Saprolegnia sp., que se desenvolve com facilidade em águas frias e em animais estressados ou com lesões na pele.

  • Observe os peixes nas 48–72 horas seguintes à biometria: manchas algodonosas ou filamentos esbranquiçados na pele indicam infecção fúngica;
  • Mantenha a qualidade da água (oxigênio, pH e amônia) em níveis adequados para acelerar a recuperação;
  • Evite novos manejos no período imediato após a biometria;
  • Se necessário, utilize banhos preventivos com sal (NaCl) conforme orientação técnica, que reduzem o estresse osmorregulatório e inibem o crescimento de fungos.

Atenção: O uso de qualquer produto veterinário deve seguir receituário emitido por Médico Veterinário ou Engenheiro de Pesca habilitado. A automedicação em peixes pode gerar resíduos no filé e inviabilizar a venda.

4. Registre e Analise os Resultados

Cada biometria deve ser registrada em planilha com data, espécie, número de animais amostrados, peso médio, desvio, estimativa do lote e observações sanitárias. Esse histórico é fundamental para calcular corretamente a ração diária (geralmente entre 1% e 3% da biomassa no inverno, conforme temperatura e espécie) e para tomar decisões estratégicas de comercialização.

 

Dica Importante: Peixes que gostam mais de luz (como o matrinxã) devem ficar em viveiros mais ensolarados. Já pacu e carpas preferem ambientes menos iluminados e resistem melhor ao frio.