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Armazenamento de ração na carcinicultura: cuidados que evitam prejuízo na fazenda

Armazenamento de ração na carcinicultura: cuidados que evitam prejuízo na fazenda

A ração é o maior custo de uma fazenda de camarão. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará apontam que ela pode representar de 50% a 70% dos custos de produção. Mesmo assim, é comum ver sacos empilhados direto no chão, encostados na parede ou guardados em galpões quentes e úmidos.

O problema é que ração mal armazenada perde qualidade antes mesmo de chegar ao viveiro. E ração de má qualidade significa camarão crescendo menos, conversão alimentar pior e dinheiro jogado fora. Veja os principais cuidados para proteger esse investimento.

Por que o armazenamento faz tanta diferença

Calor e umidade aceleram a perda de vitaminas e deixam a ração rançosa. A umidade ainda favorece fungos, que podem produzir micotoxinas prejudiciais ao crescimento e à saúde do camarão. No Nordeste, onde está a maior parte da carcinicultura brasileira, o calor e a maresia exigem cuidado redobrado.

O depósito ideal

Não é preciso uma estrutura sofisticada, mas o local de armazenamento precisa cumprir alguns requisitos básicos:

  • Coberto e protegido da chuva: telhado sem goteiras e sem entrada de água pelas laterais.
  • Fresco e ventilado: evite locais abafados e com sol direto nos sacos. Janelas com tela ajudam a circular o ar sem deixar entrar insetos e pássaros.
  • Seco: piso sem infiltração e longe de áreas alagáveis.
  • Exclusivo para ração: nada de guardar ração junto com combustível, cal, fertilizantes, produtos de limpeza ou defensivos. Além do risco de contaminação, a ração absorve cheiros e pode perder atratividade.
  • Fácil de limpar: restos de ração espalhados atraem ratos, baratas e carunchos.

Como empilhar os sacos

A forma de empilhar faz tanta diferença quanto o local. Os principais pontos são:

  • Nunca direto no chão: use estrados ou pallets, que evitam a umidade que sobe do piso e permitem a circulação de ar por baixo.
  • Afastado das paredes: deixe um espaço entre a pilha e a parede para o ar circular e para facilitar a inspeção e a limpeza.
  • Pilhas de altura moderada: pilhas muito altas esmagam os sacos de baixo, quebram os pellets e aumentam a quantidade de pó, que é ração que o camarão não aproveita. Siga a recomendação de altura do fabricante.
  • Corredores entre as pilhas: facilitam a movimentação, a conferência do estoque e o controle de pragas.
  • Separado por tipo e lote: organize por fase (inicial, crescimento, engorda) e por data de fabricação.

Primeiro que entra, primeiro que sai

A ração mais antiga deve ser usada primeiro. Coloque os lotes novos atrás dos antigos, e não na frente, para evitar que sacos antigos fiquem esquecidos até vencer. E planeje as compras de acordo com a fase dos viveiros: estoque grande demais aumenta o risco de perda de qualidade.

Confira a ração no recebimento

O cuidado começa antes mesmo da ração entrar no depósito. No momento da entrega, confira:

  • Se os sacos estão íntegros, sem rasgos ou furos.
  • Se não há sinais de umidade, mofo, empedramento ou cheiro de ranço.
  • A data de fabricação e a validade de cada lote.
  • Se o produto entregue é o que foi pedido (tipo, granulometria e proteína).
  • Se o transporte foi feito com a carga coberta.

Sacos danificados ou com sinais de problema devem ser separados e comunicados ao fornecedor. Anotar o lote de cada entrega também ajuda a rastrear a origem de qualquer problema que apareça depois no viveiro.

Pragas e sacos abertos: atenção no dia a dia

Ratos, insetos e pássaros comem e contaminam a ração. Mantenha o depósito limpo, recolha o que derramar, feche frestas e faça um controle de pragas com iscas longe dos sacos. Na beira do viveiro, o cuidado continua: leve só a quantidade do trato, porque saco aberto no sol, na chuva ou no sereno perde qualidade em poucas horas. Se sobrar, feche bem e devolva ao depósito.

Suporte técnico faz diferença

Muitos produtores sabem da importância desses cuidados, mas nem sempre têm tempo ou orientação para colocar tudo em prática. Por isso, contar com um fornecedor que vai além da venda faz diferença.

No Ceará, a Tema Carcinicultura, revenda de insumos de qualidade para a carcinicultura, é um exemplo desse trabalho. Com uma equipe de suporte técnico próxima do produtor, a Tema acompanha as fazendas no dia a dia e ajuda a organizar o armazenamento correto da ração, desde a estrutura do depósito até a rotina de recebimento e uso dos lotes. Esse tipo de acompanhamento ajuda o produtor a garantir que a ração chegue ao camarão com a mesma qualidade com que saiu da fábrica.

Procure por @temacarcinicultura no Instagram!

Estoque organizado também é gestão

Cuidar do armazenamento é cuidar do dinheiro da fazenda. E para isso, é preciso saber quanto de ração entrou, quanto saiu, de qual lote e para qual viveiro foi.

Com uma ferramenta de gestão, o produtor registra as compras e o consumo de ração, acompanha o estoque e enxerga o custo de alimentação por viveiro. Assim fica mais fácil planejar as compras, evitar ração parada no depósito e identificar rapidamente quando a conversão alimentar sai do esperado.

No fim das contas, ração bem armazenada e bem controlada é camarão crescendo mais, com menos desperdício e mais lucro no fim do ciclo. E esses cuidados valem também para quem produz peixe.

Fontes: Agência UFC / Labomar (Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará), Banco do Nordeste (ETENE), ABCC.